Quando a Mente Entra em Guerra
Há momentos na caminhada cristã em que somos confrontados não apenas com nossas escolhas, mas com nossos pensamentos. Muitas vezes, esses pensamentos parecem não cessar, surgem sem permissão e nos deixam com a impressão de que estamos continuamente falhando diante de Deus. Foi exatamente esse tipo de inquietação que me levou a uma reflexão mais profunda sobre Salmos 97:10, onde está escrito: “Vós que amais ao Senhor, odiai o mal.”
Mas afinal, que “mal” é esse que Deus ordena que odiemos? E como lidar com a sensação de estar pecando constantemente em pensamento?
Ao estudar e meditar sobre esse texto, descobri que o “mal” mencionado, não é uma figura abstrata. Ele se refere a tudo aquilo que se opõe ao caráter de Deus, tudo que tenta distorcer a pureza, enfraquecer a fé ou afastar o coração da presença divina. É um mal moral, espiritual, emocional e até sutil — frequentemente disfarçado de distrações, gatilhos, memórias e influências que, aos poucos, vão minando a sensibilidade da alma.
Porém, o ponto crucial dessa descoberta foi perceber que odiar o mal não significa odiar a si mesmo por ter pensamentos ruins. Significa rejeitar aquilo que tenta tomar o espaço que pertence a Deus dentro de nós.
“Acho que não amo a Deus como pensava. Minha mente pensa coisas erradas o dia inteiro.”
Foi o que pensei quando refleti a respeito. Essa sensação é mais comum do que se imagina, mas também é profundamente enganosa. A verdade é que o simples fato de alguém se entristecer pelos próprios pensamentos já é sinal de amor, temor e consciência espiritual. Quem não ama a Deus não se preocupa com o conteúdo da mente. Quem ama, sente, luta, combate.
Aprendi que pensamentos não são, automaticamente, pecado. A tentação ocorre na mente; o pecado ocorre quando ela é alimentada ou abraçada. Muitos pensamentos surgem como flechas, impressões e sugestões frutos da fragilidade humana, das circunstâncias, da imaginação ou até de ataques espirituais. Sentir-se bombardeado não significa estar distante de Deus; significa estar em guerra.
E é exatamente por isso que a ordem “odiai o mal” é tão profunda. Não se trata de ódio emocional, mas de postura espiritual. É recusar aquilo que enfraquece a alma. É olhar para cada pensamento que tenta se exaltar contra o conhecimento de Deus e dizer: “Você não tem lugar aqui.” Então compreendi que o problema não era falta de amor, mas fadiga espiritual. Mente cansada pensa em excesso. Coração sensível sente demais. Espírito em batalha percebe tudo com intensidade ampliada.
Deus não abandona quem luta. Deus guarda a alma dos que O amam — mesmo quando se sentem fracos.
No fim, compreendi que amar a Deus não é nunca falhar. Amar a Deus é se levantar sempre que falhar. É desejar agradá-Lo mesmo quando a mente se torna um campo de batalha. E acima de tudo, é confiar que Ele não abandona os que O buscam mesmo quando os pensamentos parecem não cooperar. Se este texto alcança alguém que também se sente sobrecarregado pela própria mente, que sirva como luz:

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