Existe uma sensação estranha que, por muito tempo, eu não soube explicar.
Como se a vida tivesse seguido…
Mas algo dentro de mim não tivesse acompanhado no mesmo ritmo. Exteriormente, tudo parece normal. As pessoas voltaram às suas rotinas, os lugares voltaram a ficar cheios, os dias seguem como antes. Mas, por dentro, nem tudo parece igual. E talvez você já tenha sentido isso também.
Às vezes parece que estamos vivendo em uma espécie de realidade diferente. Não no sentido literal, mas emocional. Como se algo tivesse mudado, só que de uma forma silenciosa, difícil de nomear. Eu comecei a perceber isso quando pensei em tudo o que aconteceu a partir de 2020. Aquele período não mudou apenas a nossa rotina. Ele mexeu com a forma como enxergamos o tempo, a vida, as prioridades.
Fomos obrigados a parar. A ficar mais tempo sozinhos. A lidar com pensamentos que, talvez, antes a gente evitava. E no meio desse silêncio, muita coisa veio à tona. Ao mesmo tempo, a vida digital tomou um espaço ainda maior. Trabalhamos pelas telas, nos comunicamos pelas telas, nos distraímos pelas telas. E, sem perceber, fomos nos afastando de uma presença mais real.
E tem um detalhe curioso que eu nunca esqueço: foi exatamente nesse período que meu blog teve um dos maiores picos de visualizações. No dia 30 de abril de 2020, ele alcançou um número que eu nunca tinha visto antes. Talvez porque todos estivessem mais online. Talvez porque todos estivessem tentando preencher o silêncio. Mas hoje eu me faço uma pergunta sincera: será que estávamos realmente presentes… ou apenas reagindo ao que aparecia na tela?
Com o tempo, comecei a perceber que aquela sensação de “estar em outra realidade” talvez não fosse sobre o mundo — mas sobre mim. Talvez eu tenha mudado. Talvez você também tenha mudado. E talvez o desconforto venha exatamente disso: a vida externa voltou ao ritmo de antes, mas a nossa percepção já não é mais a mesma.
A gente começa a questionar mais. A se distrair menos com certas coisas. A perceber o vazio em excessos que antes pareciam normais. E isso cria uma sensação estranha, como se não encaixássemos totalmente no mesmo lugar de antes.
Mas e se isso não for algo ruim? E se essa sensação for, na verdade, um sinal de consciência?
Porque viver de forma consciente exige escolhas. Exige desacelerar, em alguns momentos. Exige se afastar de excessos. Exige estar mais presente — de verdade. Talvez seja por isso que tantas pessoas têm sentido vontade de simplificar a vida, de reduzir o digital, de voltar para o que é mais essencial. No fim, depois de tudo o que vivemos, talvez a maior mudança não esteja no mundo. Mas na forma como escolhemos viver dentro dele.
E você… sente que mudou?
Beijos e até a proxima.





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