Antigamente, os fins de tarde tinham uma beleza diferente. O céu se tornava alaranjado, suave... Havia uma sensação de que o dia estava se despedindo com calma, e as pessoas, naturalmente, iam desacelerando junto com ele. Não havia tanta pressa, nem tantos ruídos. Era como se o próprio tempo ensinasse a parar.
Lembro-me de quando eu e meus primos esperávamos meu avô chegar do trabalho. Ficávamos atentos, olhando ao longe, e quando o avistávamos, corríamos ao seu encontro com alegria. Não havia distrações, não havia telas, não havia urgências. Havia apenas o momento. E ele era suficiente.
Que saudade dessa época...
Hoje, às vezes me pergunto: será que esses fins de tarde deixaram de existir… ou será que eu já não reparo o suficiente? Será que a vida perdeu a beleza… ou fomos nós que nos tornamos apressados demais para percebê-la?
Ontem senti vontade de fazer algo diferente. Não quis ir à academia. Mudei a rotina. Quis apenas caminhar. Caminhei por uma hora, sem pressa, sem destino específico, apenas permitindo que o tempo seguisse o seu próprio ritmo.
Durante a caminhada, me conectei comigo mesma. Falei com Deus. Fiz pequenas orações, simples e sinceras. Observei o que estava ao meu redor com mais atenção. E então percebi o céu — um azul cintilante, limpo, convidando a contemplá-lo.
Foi uma experiência simples, mas significativa. Não houve grandes acontecimentos, não houve nada extraordinário. Ainda assim, senti algo diferente: uma leveza, uma paz silenciosa, como se eu estivesse, aos poucos, voltando ao essencial. E foi então que percebi: talvez os fins de tarde ainda existam. Talvez o céu continue bonito. Talvez o tempo ainda desacelere. Mas nós nos tornamos ocupados demais para perceber.
O contidiano nos ensinou a correr o tempo todo. A preencher cada espaço com algo. A viver com a mente sempre ocupada e o coração sempre apressado. E, nesse ritmo, fomos perdendo a sensibilidade para as pequenas coisas. Mas elas continuam lá. O céu continua mudando de cor. O vento continua soprando suave no fim do dia. As ruas continuam ficando mais silenciosas. E Deus continua presente nos detalhes mais simples.
Talvez crescer também seja isso: reaprender a reparar. Voltar a perceber a beleza que sempre esteve ali. Redescobrir que a vida não precisa ser extraordinária para ser bonita. Às vezes, ela se revela justamente nos momentos mais simples, mais discretos.
Ontem, enquanto caminhava, senti que estava voltando a algo que sempre existiu, mas que, por um tempo, havia sido esquecido. Voltar a desacelerar. Voltar a observar. Voltar a sentir.
Os fins de tarde ainda existem. E Deus continua falando… suavemente...
A quem decide desacelerar e ouvir.
Beijos e até a próxima.

